Dois dias se passaram e eu continuava me torturando. E se o problema fosse comigo? E se eu fosse egoísta e nada que eu fizesse resolvesse? Essas perguntas rondavam a minha mente e eu já não aguentava mais. Tinha que fazer algo para acabar com isso. E para fazer isso decidi fazer uma das minhas coisas favoritas. LER.
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Estou na biblioteca, com o livro " Quem é você, Alasca ?" do John Green em minhas mãos. Já havia lido A culpa é das estrelas e adorei, mas esse livro me deixou especialmente curiosa. E divagando em relação a minha vontade de ler o livro, acabo tropeçando em meus próprios pés e quando me dou conta já estou caindo. Ou não. Quando estou quase beijando o chão sinto um par de mãos na minha cintura, me livrando dessa ficada indesejada com o chão da biblioteca. Quando já estou estável, me viro para ver quem é o meu salvador. Ele não era apenas um cara, ele era O cara. Rostinho despreocupado, olhos extremamente verdes- que me lembraram grama- corpo magro porem forte cabelos castanhos e encaracolados. Usava um óculos de grau, com uma armação preta, daquelas que são bem simples mas combinam com a maioria das pessoas. Vestia jeans pretos e uma blusa xadrez.
Seu sorriso era lindo, e seu olhar se desviou para o livro em minha mão.
- Oi. É um livro muito bom. - disse ele fazendo indicando o livro com os olhos.
- Oi, ele parece ser realmente bom, estou muito curiosa para ler.
- "Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente."- Ele disse com um brilho nos olhos. Eu o observei sem entender direito. E percebendo a minha dificuldade para compreender ele falou:
- É um trecho do livro. É o meu favorito. Tanto o livro, como o trecho.- Ele sorriu e eu sorri de volta.
- Prazer, sou a Mônica.
- Prazer Mônica, eu sou o Pedro. Tem tempo para tomar um café?
- Claro. - Respondi sem jeito. Afinal, não era todo dia que um cara bonito nos salva de um acidente e ainda nos chama para sair. Sossega criatura, ele esta sendo apenas educado e existe uma enorme chance de vocês nunca mais se verem. E a minha mente, pra variar, tirando conclusões - na maioria das vezes certas - sobre os caras que eu conheço.
Pedro e eu fomos a uma lanchonete muito fofa e não ficamos apenas no café. A cochinha de lá estava muito boa. Descobri que nós temos muito em comum e acabamos trocando whatsapps .