sábado, 25 de outubro de 2014


Dois dias se passaram e eu continuava me torturando. E se o problema fosse comigo? E se eu fosse egoísta e nada que eu fizesse resolvesse?  Essas perguntas rondavam a minha mente e eu já não aguentava mais. Tinha que fazer algo para acabar com isso. E para fazer isso decidi fazer uma das minhas coisas favoritas. LER. 
***
Estou na biblioteca, com o livro " Quem é você, Alasca ?" do John Green em minhas mãos. Já havia lido A culpa é das estrelas e adorei, mas esse livro me deixou especialmente curiosa. E divagando em relação a minha vontade de ler o livro, acabo tropeçando em meus próprios pés e quando me dou conta já estou caindo. Ou não. Quando estou quase beijando o chão sinto um par de mãos na minha cintura, me livrando dessa ficada indesejada com o chão da biblioteca. Quando já estou estável, me viro para ver quem é o meu salvador. Ele não era apenas um cara, ele era O cara. Rostinho despreocupado, olhos extremamente verdes- que me lembraram grama- corpo magro porem forte cabelos castanhos e encaracolados. Usava um óculos de grau, com uma armação preta, daquelas que são bem simples mas combinam com a maioria das pessoas. Vestia jeans pretos e uma blusa xadrez. 
Seu sorriso era lindo, e seu olhar se desviou para o livro em minha mão. 
- Oi. É um livro muito bom. - disse ele fazendo indicando o livro com os olhos.
- Oi, ele parece ser realmente bom, estou muito curiosa para ler.
"Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente."-  Ele disse com um brilho nos olhos. Eu o observei sem entender direito. E percebendo a minha dificuldade para compreender ele falou:
- É um trecho do livro. É o meu favorito. Tanto o livro, como o trecho.- Ele sorriu e eu sorri de volta.
- Prazer, sou a Mônica.
- Prazer Mônica, eu sou o Pedro. Tem tempo para tomar um café?
- Claro. - Respondi sem jeito. Afinal, não era todo dia que um cara bonito nos salva de um acidente e ainda nos chama para sair. Sossega criatura, ele esta sendo apenas educado e existe uma enorme chance de vocês nunca mais se verem.  E a minha mente, pra variar, tirando conclusões - na maioria das vezes certas - sobre os caras que eu conheço.
Pedro e eu fomos a uma lanchonete muito fofa e não ficamos apenas no café. A cochinha de lá estava muito boa. Descobri que nós temos muito em comum e acabamos trocando whatsapps .


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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Fecho o livro e o devolvo ao seu devido lugar. Pulo na minha cama sentindo algo se revirar dentro de mim. Acho que isso é o sentimento de estar fazendo algo que eu realmente quero. E é assim, deitada na cama em uma posição estranha, com um sorriso idiota no rosto que eu percebo que eu nunca agi por mim mesma. Que todas as minhas ações eram influenciadas por alguém e que eu nunca fui realmente feliz. Não me pergunte por que eu fui perceber isso apenas agora, por que eu não vou conseguir responder. E é por isso que eu quero tanto viajar. Para ter respostas, e para criar novas perguntas.
Me levanto e pego o meu notebook na estante. Navego um pouco pela internet e rapidamente tenho metas traçadas
                                                          ***
23:00 horas,já tenho um plano completo, e eu iria coloca-lo em pratica terça feira.  Tenho 4 dias para criar coragem e avisar para Rafaela sobre os meus planos, ela vai surtar, vai dizer que eu sou louca. E eu sei que ela só vai ter essa reação porque não é uma viajem de luxo ou coisa do tipo. Eu não conhecia Rafaela a tanto tempo assim, mas eu sabia que para ela coisas relacionadas a luxo e dinheiro eram sinonimo de felicidade. Não que ela fosse uma pessoa ruim, longe disso, ela apenas acreditava nas coisas erradas. Estou na sala, assistindo A Culpa é das Estrelas ,e já perdi as contas de quantas vezes assisti a esse filme. Assisti tanto que não choro mais. "A dor precisa ser sentida" mas as vezes nos acostumamos a ela. No meu caso, a dor é parte de mim. 
Quando eu era menor, eu sempre tentei ser igual as pessoas, tanto para agrada-las ,quanto para me sentir bem. Eu pensava que se eu fosse igual aos outros, as pessoas iriam gostar de mim. E eu estava certa. Mas em algum momento, a satisfação dos outros em relação a mim, não servia mais. E eu só vim perceber isso hoje. É engraçado, você toma uma decisão e a partir dela, você revê todo o seu passado e muda todo o seu futuro. A vida é assim, uma simples atitude, seja ela boa ou ruim nos mudará para sempre. 
Quando meus olhos começam a fechar, involuntariamente, desligo a televisão e ando preguiçosamente até o quarto. Deito de qualquer forma, mas antes de apagar completamente, um ultimo pensamento me vem a mente: " Eu quero mudar a vida das pessoas, nem que seja com uma simples atitude".
                                                                     

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Acordo exatamente as 8:00 da manhã, se bem que “acordar” não é bem o que eu faço já que passo no mínimo 15 minutos tentando criar vergonha na cara e levantar da cama de uma vez. Levanto, tomo um banho e mal não me dou ao trabalho de escolher uma roupa, pego o primeiro jeans que eu vejo e uma camisa xadrez que eu comprei quando fiz 17 anos , e, agora com 18 anos ela ainda serve já que continuo praticamente com a mesma altura e mesmo peso. Depois de estar com uma aparência apresentável, passo meu tradicional batom vermelho e observo a bagunça do meu quarto e passo um tempinho observando, orgulhosa, a estante ao lado da cama. Nela estão todos os meus livros e a minha coleção de discos de vinil.  Após tomar café ligo para Rafaela.
-Quem é? – Pergunta ela com uma voz de quem acabou de acordar.
- Sou eu, a Mônica.
- Ah! O que é? –Ela respondeu com um mau humor típico
-Nossa, você é sempre tão simpática quando te ligam ou eu tenho um tratamento especial? – Falei tentando não rir..
-Foi mal. Mas ,sério , aconteceu alguma coisa? Por que pra você me ligar uma hora dessas o caso deve ser muito grave.
-Eu quero fazer alguma coisa. Não sei o quê exatamente. Algum conselho para me dar?
-Tenho !!  – Nesse momento fico animada. Finalmente alguém para me dar uma luz. 
– E qual é? – Pergunto.
- Volta a dormir , por que é o melhor que você faz.
- Vaca. – Desliguei. Conheci Rafaela a sete meses atrás. Ela é muito legal, mas o egoísmo é um defeito dela. Acho que nós somos amigas, mas não me sinto totalmente a vontade com ela.
Esses dias estou me sentindo estranha. Não uma sensação de mau estar físico. O que eu estou sentido vai mais além. Parece que eu acordei sem um pedaço de mim. Não sei o que é exatamente, mas eu não me importo, nós sempre devemos tentar descobrir sobre que nos não sabemos certo?. Então o que posso dizer apenas é que estou com a necessidade de reencontrar essa parte perdida.
                                                         
                                                       ***
Não tinha nada para fazer e não precisava trabalhar já que meu pai me deixou uma herança bem gorda antes de morrer. Posso parecer fria por falar do sobre o meu pai assim mas isso não se compara ao que ele fez com a minha mãe. Ele a abandonou, quando ela estava gravida. Infelizmente ela morreu quando eu tinha 16 anos, de câncer, e quando isso chegou até ele - que também já não estava tão bem de saúde -  a culpa veio toda de uma vez e antes de morrer ele adicionou meu nome em seu testamento . Da minha mãe ,sim, eu sinto falta. Ela era a melhor pessoa desse mundo. Melhor do que eu sou e melhor do que um dia eu serei. Ao lembrar de minha mãe, o meu livro favorito vem a cabeça e imediatamente eu o encontro em minha estante. Abro na pagina que contém meu trecho favorito:

"A vida é escrota, aleatória e arbitrária, até que se encontre alguém que faça tudo isso fazer sentido, mesmo que apenas temporariamente."

Imediatamente meus pais me vem a cabeça. E sempre que isso acontecia, procurava uma distração. Mas hoje foi diferente. Acho que meu cérebro quer me pregar uma peça. Primeiro essa sensação estranha, agora a lembrança dos meus pais. Será que eu não podia viver minha vida em paz ? Acho que não. 
Volto meu olhar novamente para o livro, e percebo que é isso que eu preciso. Eu preciso de algo que faça a minha vida ter sentido.
Posso parecer idiota, mas eu já pareci tanta coisa para varias pessoas que eu não me importo mais.

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