sexta-feira, 17 de outubro de 2014

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Acordo exatamente as 8:00 da manhã, se bem que “acordar” não é bem o que eu faço já que passo no mínimo 15 minutos tentando criar vergonha na cara e levantar da cama de uma vez. Levanto, tomo um banho e mal não me dou ao trabalho de escolher uma roupa, pego o primeiro jeans que eu vejo e uma camisa xadrez que eu comprei quando fiz 17 anos , e, agora com 18 anos ela ainda serve já que continuo praticamente com a mesma altura e mesmo peso. Depois de estar com uma aparência apresentável, passo meu tradicional batom vermelho e observo a bagunça do meu quarto e passo um tempinho observando, orgulhosa, a estante ao lado da cama. Nela estão todos os meus livros e a minha coleção de discos de vinil.  Após tomar café ligo para Rafaela.
-Quem é? – Pergunta ela com uma voz de quem acabou de acordar.
- Sou eu, a Mônica.
- Ah! O que é? –Ela respondeu com um mau humor típico
-Nossa, você é sempre tão simpática quando te ligam ou eu tenho um tratamento especial? – Falei tentando não rir..
-Foi mal. Mas ,sério , aconteceu alguma coisa? Por que pra você me ligar uma hora dessas o caso deve ser muito grave.
-Eu quero fazer alguma coisa. Não sei o quê exatamente. Algum conselho para me dar?
-Tenho !!  – Nesse momento fico animada. Finalmente alguém para me dar uma luz. 
– E qual é? – Pergunto.
- Volta a dormir , por que é o melhor que você faz.
- Vaca. – Desliguei. Conheci Rafaela a sete meses atrás. Ela é muito legal, mas o egoísmo é um defeito dela. Acho que nós somos amigas, mas não me sinto totalmente a vontade com ela.
Esses dias estou me sentindo estranha. Não uma sensação de mau estar físico. O que eu estou sentido vai mais além. Parece que eu acordei sem um pedaço de mim. Não sei o que é exatamente, mas eu não me importo, nós sempre devemos tentar descobrir sobre que nos não sabemos certo?. Então o que posso dizer apenas é que estou com a necessidade de reencontrar essa parte perdida.
                                                         
                                                       ***
Não tinha nada para fazer e não precisava trabalhar já que meu pai me deixou uma herança bem gorda antes de morrer. Posso parecer fria por falar do sobre o meu pai assim mas isso não se compara ao que ele fez com a minha mãe. Ele a abandonou, quando ela estava gravida. Infelizmente ela morreu quando eu tinha 16 anos, de câncer, e quando isso chegou até ele - que também já não estava tão bem de saúde -  a culpa veio toda de uma vez e antes de morrer ele adicionou meu nome em seu testamento . Da minha mãe ,sim, eu sinto falta. Ela era a melhor pessoa desse mundo. Melhor do que eu sou e melhor do que um dia eu serei. Ao lembrar de minha mãe, o meu livro favorito vem a cabeça e imediatamente eu o encontro em minha estante. Abro na pagina que contém meu trecho favorito:

"A vida é escrota, aleatória e arbitrária, até que se encontre alguém que faça tudo isso fazer sentido, mesmo que apenas temporariamente."

Imediatamente meus pais me vem a cabeça. E sempre que isso acontecia, procurava uma distração. Mas hoje foi diferente. Acho que meu cérebro quer me pregar uma peça. Primeiro essa sensação estranha, agora a lembrança dos meus pais. Será que eu não podia viver minha vida em paz ? Acho que não. 
Volto meu olhar novamente para o livro, e percebo que é isso que eu preciso. Eu preciso de algo que faça a minha vida ter sentido.
Posso parecer idiota, mas eu já pareci tanta coisa para varias pessoas que eu não me importo mais.

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